
Perdida. Perdida em um turbilhão de sentimentos, estava com a alma desgastada. Sozinha. Ela se encontrava em um buraco fundo, onde era difícil ver as nuvens, ver o que acontecia no mundo acima dela. Tentava gritar, mas não saia som algum. Chorava alto, esperneava, tentava fazer qualquer coisa para verem que ela queria e precisava de ajuda.
Deslocada. Ela nem sempre foi assim. Costumava a ter muitos amigos, alguns juraram que essa amizade seria para sempre. Então, onde esses amigos estavam? Longe dela, longe da garota problemática, ela tinha plena consciência disso. Afinal, ela pensou, quem nunca teve amigos falsos?
Seu coração pesou. Doeu, se contorceu. O buraco parecia mais fundo. Estava mais escuro, ou talvez estivesse assim porque era noite, mas uma noite sem o belo brilho comum do anoitecer. A Lua estava fraca, as estrelas pareciam sem luz. Ou talvez fossem só os olhos dela. Talvez ela estivesse tão acostumada com a escuridão que não conseguia mais ver a luz.
Ela não sabia direito quando o buraco havia ficado tão fundo. Tão desconfortável. Tão quieto. O silêncio a incomodava, a fazia pensar demais. Ultimamente, ela estava ficando com medo de seus próprios pensamentos. Eles eram altos, claros, mas ao mesmo tempo eram confusos. Assim como ela. Sua mente era confusa, o coração era remendado. Ela não tinha sorrisos, não estava mais acostumada com a felicidade percorrendo o corpo e chegando ao rosto, formando um sorriso iluminado. Na verdade, estava acostumada com a sensação das lágrimas queimando a sua pele.
Mas para ela, tudo era questão de se adaptar. Era uma questão de ter que se acostumar com a solidão e de ter que se acostumar a andar, apenas, com si mesma, pois ela sabia que não sairia daquele lugar onde estava presa há tanto tempo. Não tão cedo. (shebecameheartless)
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