Meus Sons

segunda-feira, 4 de março de 2013

—Eu costumava ser forte, atualmente eu só finjo ser.



Eu costumava ser forte. Não do tipo que ergue uns noventa quilos com a perna, e cento e vinte com o braço na academia. Do tipo que sofre e continua sorrindo. Que aguenta sabe. Que não reclama, que só continua, independente da situação. Eu gostava de ser assim. Meu problema? Gostei demais. Foi muito peso pra carregar sozinha. Foi ai que eu me quebrei. Não foi uma perna, um braço, um dedo, não foi nenhum osso que você possa citar. Foi além disso, eu me quebrei por inteira. Quebrei tudo aquilo que você não pode ver ou imaginar. E eu continuei tentando ser forte, mesmo com todas as dores borbulhando em minha pele. Enquanto vocês me viam andar por ai eu sentia como se estivesse rastejando. Vocês me viam inteira, e eu me sentia aos cacos. Teimei em sei forte, mesmo sabendo que tudo o que eu tinha em mãos naquele momento era fraqueza. Meus joelhos fraquejavam, minha fala falhava, meus medos me arranhavam por dentro, e eu não disse uma palavra sequer sobre nada disso. Querer eu quis, meu orgulho nunca deixou. Então veio o vazio. Vazio desses que comida nenhuma preenche. Porque nunca importou a quantidade que eu ingeria, esse vazio sempre continuou intacto. E tudo que eu queria fazer era vomitar, não a comida, as palavras. Cuspir e arrotar na cara de alguém tudo que eu nunca tinha digerido. Mas eu sempre fui educada demais pra fazer essas coisas. Fui secando, mas não importava quantos de litros de água em bebia, nunca foi desidratação, sempre foi uma sede por vida. Sequei tanto que quase virei pó. Ai que o meu fim aconteceu. Morri, e ainda sim acordei no dia seguinte intacta, mas sem absolutamente nada por dentro. Eu me senti um soldado contundido escondendo o péssimo estado atrás de um reluzente e forte armadura. E foi isso que eu me tornei, apenas uma casca. Uma casca oca.
Eu costumava ser forte, atualmente eu só finjo ser.

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