Eu sinto.
Eu sinto falta de coisas que jamais imaginaria que um dia eu poderia sentir. Eu sinto medo. Medo de sentir falta, pois o passado não volta mais. Eu sinto falta de ouvir o sopro do vento se manifestando e as folhas das árvores entrando em contato com o chão. Eu sinto falta de andar pelas ruas sem o medo de que alguém me visse. Mas, quem poderia me notar em meio à multidão? Eu sou invisível aos olhos da sociedade e esquecida aos olhos daqueles que me conhecem. Eu sinto falta de significar algo para a minha família. Eu sinto falta dos meus sonhos. Eu sempre sonhei em ser diferente, independente. Eu sempre sonhei em ser feliz e não ligar para o que algum estranho diz. Eu sinto falta daquela força que se manisfestava dentro de mim quando tudo estava prestes a desabar.
Hoje, eu não sou ninguém. Ando às escuras, com medo que julguem por estar assim. Quero fugir e adiar o meu futuro para não encarar novas dores, novos obstáculos. Eu tenho medo, porque sei que não estou pisando firmemente neste chão, eu estou cambaleando e mal posso me segurar. As paredes estão fechando contra mim, eu não consigo respirar. Ninguém pode me ajudar. Eu me joguei em meio a esse tormento e preciso aprender a escapar sozinha. Posso até sair, mas não sairei intacta. E é por isso que eu sinto falta. Sinto falta da liberdade que eu posso, talvez, nunca mais encontrar.
Eu sinto muito.
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